O escritor, historiador e gestor cultural Jordão Pablo de Pão, membro da Academia Fluminense de Letras e da Academia Gonçalense de Cordel, celebra dez anos de trajetória literária com o lançamento da terceira edição, revista e ampliada, de “O Mar do Meu Velho”.
A sessão de autógrafos acontece no dia 23 de setembro de 2026, das 18h às 20h, na Livraria Blooks, em Icaraí, Niterói. O evento tem entrada gratuita e é aberto a todas as idades.
A nova edição retoma uma das obras mais conhecidas do autor e acrescenta poemas inéditos e prosas produzidas paralelamente ao trabalho original. As duas primeiras edições, segundo informações de divulgação do lançamento, somaram mais de dois mil exemplares vendidos.
Uma homenagem à relação entre pai e filho

Em “O Mar do Meu Velho”, Jordão Pablo transforma lembranças familiares em literatura. A figura central é seu pai, Jordão de Pão (1941–2013), português que escolheu o Brasil para viver, constituiu família e encontrou no mar e na pesca parte importante de sua trajetória.
Mais do que reconstruir lembranças pessoais, o livro aborda temas universais como paternidade, infância, trabalho, identidade, perda e saudade.
“Para além de ser meu trabalho individual mais conhecido, o que escrevo é um tributo ao brilhante trabalho de inspiração e liberdade orientada que um pescador analfabeto e embrutecido pelas suas experiências me proporcionou. É um ato de amor”, afirma o escritor.
O pai de Jordão Pablo criou cinco filhos e viveu um casamento de 51 anos com Izabel de Pão. No livro, as experiências compartilhadas entre pai e filho tornam-se matéria-prima para uma narrativa marcada pela memória e pelos afetos.
O mar como personagem e espaço de memória
O mar ocupa lugar central na obra. Não aparece apenas como cenário, mas como espaço de trabalho, convivência, aprendizado e enfrentamento das dificuldades da vida.
A rotina dos pescadores — preparar a pesca, observar as linhas, esperar, enfrentar as condições do mar e repartir o pescado — ganha dimensão literária ao longo dos poemas e das prosas.
O pescador funciona como um fio condutor da obra. Por meio dele, o leitor acompanha diferentes momentos da existência: nascimento, formação familiar, trabalho, amor, envelhecimento, morte e luto.
A terceira edição também amplia o diálogo entre as memórias pessoais do autor e referências presentes no imaginário cultural ligado ao mar. Figuras como Yemanjá e Netuno aparecem em uma construção que aproxima mitologia, cultura, história e experiências das comunidades que vivem próximas ao litoral.
Literatura como forma de preservar histórias
Além da dimensão afetiva, “O Mar do Meu Velho” apresenta uma reflexão sobre a preservação das histórias de pessoas comuns.
Mestre em História, Jordão Pablo chama atenção para trabalhadores e personagens que raramente aparecem nos registros oficiais, mas cuja trajetória permanece viva na memória de familiares e comunidades.
“A literatura sempre constituiu uma via de registro de nomes e de personagens que não seriam lembrados pelos atos oficiais. Celebraremos nessa noite os trabalhadores do mar, bem como todos os que construíram nossos territórios e existem apenas nas memórias de seus pares”, afirma o autor.
Nesse sentido, a obra ultrapassa a homenagem familiar. A história de um pescador passa a representar também tantas trajetórias anônimas que participaram da construção social e cultural das cidades brasileiras.
Quem é Jordão Pablo de Pão?
Jordão Pablo de Pão é escritor, historiador e gestor cultural, com atuação na preservação e divulgação da literatura e da memória fluminense.
É membro efetivo da Academia Fluminense de Letras e da Academia Gonçalense de Cordel, ligação que aproxima sua trajetória do cenário cultural de São Gonçalo.
Cidadão niteroiense, recebeu medalhas e títulos concedidos pela Câmara Municipal de Niterói e por entidades culturais. Entre seus livros publicados estão “Cáustico”, “Café Quente”, “Antes do Café Paris” e “Afinal, para que Academias de Letras?”.
Sua produção inclui ainda mais de três dezenas de publicações literárias entre fanzines, códices e plaquetes.
Como gestor cultural e servidor público, participou da administração de equipamentos municipais e da curadoria das duas edições mais recentes da Festa Literária Internacional de Niterói. Atualmente, é diretor da Niterói Livros.
Dez anos de trajetória literária
O lançamento da nova edição de “O Mar do Meu Velho” também marca os dez anos de trajetória de Jordão Pablo de Pão como escritor.
A escolha de revisitar uma de suas obras mais conhecidas reforça justamente um dos temas presentes em seu trabalho: a capacidade da literatura de preservar pessoas, lugares e experiências que poderiam desaparecer com o passar do tempo.
No caso de “O Mar do Meu Velho”, a memória de um pai e pescador transforma-se em uma reflexão sobre relações familiares, trabalho, pertencimento e saudade.
“Constitui um grande tributo à relação pai e filho. Como meu Jordão pontuou tão fortemente a minha individualidade, este é o meu agradecimento singelo a ele e, talvez, um grito de alerta sobre o peso que a ausência física faz”, explica o escritor.
Serviço — lançamento de “O Mar do Meu Velho”
Evento: Sessão de autógrafos de “O Mar do Meu Velho”
Autor: Jordão Pablo de Pão
Editora: Itapuca
Data: 23 de setembro de 2026
Horário: 18h às 20h
Local: Livraria Blooks – Icaraí
Endereço: Rua Miguel de Frias, 9 – Icaraí, Niterói – RJ
Entrada: gratuita e aberta a todas as idades
O livro estará disponível para compra durante o lançamento e também pode ser adquirido antecipadamente diretamente com o autor.
Para leitores de São Gonçalo e Niterói interessados em literatura, história e memória fluminense, o encontro oferece uma oportunidade de conhecer de perto o trabalho de Jordão Pablo de Pão e uma obra construída a partir das relações entre família, mar, trabalho e memória.

